Rota do Sol já soma 36 colisões em 2015

Rota do Sol já soma 36 colisões em 2015

Nos últimos dias, dois acidentes fatais chamaram a atenção de autoridades e da população para a falta de segurança e fiscalização na Rodovia RN-063, mais conhecida como Rota do Sol. Importante via que liga Natal a diversas praias do litoral Sul, como Cotovelo e Pirangi, a rodovia tem registrado números alarmantes de acidentes. Entre 1º de janeiro e 14 de maio foram contabilizadas 36 colisões de diversos tipos, com dois óbitos e 13 pessoas feridas.

Diferentemente das que resultaram em óbito, a maioria das colisões provocou apenas danos materiais. Desse total de colisões, dez foram posteriores (na traseira), oito laterais, nove transversais, três frontais e seis de outros tipos. Capotamentos foram registrados dois e ainda dois choques (batidas em obstáculo fixo).

O NOVO JORNAL percorreu o trecho da rodovia desde Ponta Negra, nas imediações de onde a via é cortada pela Avenida Praia de Búzios, até o Posto Policial de Pium. No caminho, flagrantes de veículos em alta velocidade, marcas de frenagem em quase todo o itinerário, falta de fiscalização eletrônica e em meio a todos os riscos muitos ciclistas pedalando e pedindo mais segurança.

O caminho percorrido pela equipe tem cerca de oito quilômetros. Por vários motivos a rodovia é bastante acessada. Além de conduzir para diversas praias, é na Rota do Sol que se localizam o estádio de futebol do ABC, o Frasqueirão, e mais na frente o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, ponto turístico visitado diariamente por dezenas de pessoas.

O primeiro acidente fatal registrado esse ano foi o que vitimou o ciclista Carlos Augusto Costa, de 51 anos. A colisão ocorreu no dia 30 de abril passado, nas proximidades do Estádio Frasqueirão, no sentido Ponta Negra/Litoral Sul. De acordo com informações da Polícia Militar o condutor teria batido no meio fio e após perder o controle atingiu o ciclista que morreu ainda no local.

O mais recente aconteceu na noite da última quinta-feira (14), também próximo ao Frasqueirão. Um carro que trafegava no sentido Pium perdeu o controle, capotou, invadiu a pista contrária e atingiu o motociclista Carlos José Tinoco Bezerra (46), que não resistiu e veio a óbito no local. O motorista Jonas Guimarães Costa Bandeira Mota (21) dirigia sem Carteira de Habilitação e com mais cinco pessoas no carro. Com o impacto, a moto da vítima foi partida ao meio.

Não é de hoje, no entanto, que se registram acidentes na Rota do Sol. Coincidentemente, o primeiro ciclista abordado pela reportagem, o empresário Thales Borges, contou que há onze anos perdeu um tio vítima fatal em uma colisão enquanto pedalava na Rota do Sol. A vítima, Santino Miguel Leandro Borges, saiu para pedalar às 6h da manhã como costumava fazer. Um carro que vinha em alta velocidade abalroou no ciclista e fugiu sem prestar socorro. Segundo Thales, até hoje o condutor está impune. Na beira da estrada, um memorial com uma cruz pintada de branco lembra aos transeuntes que ali padeceu mais uma vida no trânsito.

“Como não tem controle de velocidade os motoristas ficam à vontade para acelerar. Se tivessem pardais seria bem menos arriscado. Além disso, deveria ter marcadores para sinalizar uma área para ciclistas”, reclama Thales Borges.

Por ser um trecho quase completamente reto e sem aclives, não é difícil encontrar grupos de ciclistas pedalando no local. O administrador de empresas Francisco Aílton Dias costuma pedalar na rodovia três vezes por semana. Ele estava acompanhado pelo sobrinho Anderson Araújo, advogado, e pelo amigo Jonas Costa, funcionário público. Os três reconhecem o perigo de transitar na RN-063, mas dizem que continuam acessando a via por falta de opção.

“É um absurdo que as autoridades não tomem providências para garantir a segurança dos ciclistas. Em menos de 15 dias foram duas mortes”, lamenta Francisco Aílton. Jonas Costa avalia que, além de fiscalização, falta educação por parte dos motoristas. “Tem que ter fiscalização, campanhas educativas, mas o Detran só quer saber de ganhar dinheiro. Se continuar assim vai acontecer mais acidentes, porque ninguém respeita”, prevê.

Para tentar minimizar os riscos, o grupo não descuida dos equipamentos de segurança, a única forma que tem de se prevenir de eventuais colisões. Entre os aparatos, lanterna dianteira, sinalização traseira, capacete e apito. “Nós evitamos pedalar à noite devido aos acidentes”, revela Anderson Araújo, que diz já ter perdido as contas de quantas colisões já ocorreram na rodovia nesses cinco anos de pedaladas pelo local.

 

Novo Jornal – http://www.novojornal.jor.br/noticias/cidades/rota-do-sol-ja-soma-36-colisoes-em-2015

 

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